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Passados
quatorze anos da anexação de Bertioga ao município de Santos, a população
local ainda era dependente em tudo da "cidade-mãe". Nesta época
realizou-se a primeira tentativa de buscar a autonomia do então distrito.
Alguns nomes como Henrique Costábile, Névio de Oliveira Caldas, Aldo Ennos
de Moraes, Epifânio Caldas, Valter Perina e Humberto da Silva Piques
tiveram importante participação no processo que tinha por objetivo o
desligamento total e definitivo de Bertioga do Município de Santos.
Bertioga ainda não dispunha de infra-estrutura para caminhar por conta
própria. Todavia, e apesar do número reduzido de eleitores, o Tribunal
Regional Eleitoral marcou a data do plebiscito, que acabou ocorrendo no
dia 07 de dezembro de 1958. A maioria da população rejeitou o
desmembramento, tendo como resultado 56 votos pelo sim e 163 pelo não
desligamento. Nesta ocasião, o então distrito contava apenas com 256
eleitores, sendo que a sua grande maioria acreditava que Bertioga não
tinha condições de caminhar sozinha e que seria melhor continuar sob a
guarda de Santos.
Após essa tentativa sem sucesso, e embora o distrito continuasse a ser
tratado com descaso pela administração santista, por longos anos nenhuma
movimentação foi retomada. No decorrer desses anos, Bertioga veio se
desenvolvendo a passos bem lentos e muito precariamente: a população foi
crescendo, o comércio se expandindo e a cada temporada um número maior de
turistas procurava a região. No final dos anos 70, novos rumores sobre a
emancipação foram ouvidos.
Porém, devido aos impedimentos legais e ao momento político nacional
(caracterizado pela ditadura militar), mais uma vez a luta pela
emancipação foi adiada. Em 1979, surgiu o jornal Notícias de Bertioga,
periódico lançado com o objetivo de servir a um grupo que mais tarde
lideraria o movimento pró-emancipação no distrito. A direção do jornal era
de Pérsio Dias Pinto, que posteriormente se tornaria um dos líderes do
movimento. Continua..
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